Category: Gagueira

dez 18 2009

A gagueira tem tratamento fácil e eficiente

A gagueira é uma perturbação da fala, de origem psicomotora, que se caracteriza pela repetição das sílabas e paradas involuntárias no início das palavras, na definição do “Dicionário Houaiss”. No entanto, é muito mais do que isso para cerca de 1% da população mundial vitimadas pelo distúrbio, numa proporção de quatro homens para uma mulher. No Brasil, o Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica (CEFAC) calcula em 1,8 milhão de os brasileiros que sofrem com o problema. Normalmente, surge entre dois e quatro anos de idade. Falta de fluência no ritmo, interrupções atípicas e involuntárias do indivíduo na fala, com repetições, hesitações, bloqueios, prolongamentos e tensões corporais e faciais são sintomas que podem vitimar pessoas de qualquer raça ou cultura. Segundo os especialistas, o distúrbio é tratável, porém também pode ser resolvido naturalmente. Segundo Jaime Zorzi, fonoaudiólogo da CEFAC, a ansiedade de quem convive com a pessoa que gagueja é maior do que a do “disfluente”, como são chamados. Quando a criança demonstra os primeiros tropeços, pausas ou demora mais para dar início à palavra, que é uma situação absolutamente normal, a tendência natural dos adultos é se antecipar e completar a palavra ou a frase que a criança pretendia proferir. Zorzi diz que esta atitude não é adequada e só contribui para chamar a atenção da criança para um problema que ela, geralmente, não percebe que é errado. Zorzi verifica que em situações de estresse, todos podem gaguejar. “Sob pressão, qualquer pessoa tem dificuldade em controlar a fala. Nessas horas, pedir calma, paciência ou mandar a pessoa respirar não adianta. É preciso respeitar o tempo de cada um ao pronunciar as palavras e esperar com tranqüilidade, evitando pressionar e aumentar o foco de estresse do gago”, ensina. De acordo com o especialista, pais e professores têm uma função essencial ao detectar qualquer anormalidade na fluência da fala das crianças: encaminhar para um profissional da fonoaudiologia, que está preparado para avaliar o caso e, se necessário, fazer indicação para um médico especialista, psicólogo ou psiquiatra. A proposta da fonoaudióloga Sílvia Friedman, há 30 anos trabalhando na área, é tratar a disfluência como uma situação normal. Ela não busca razões físicas para o problema, que vê como uma situação psico social, diferente da maioria dos estudos da gagueira, que pressupõem razões orgânicas para o distúrbio. “Disfluir é normal. Todos, ao falarmos, temos certa hesitação, elaboramos o pensamento, pensamos mais e isso faz atrasar a saída das palavras”, explica. Para Sílvia Friedman, essa disfluência não deve ser tratada inicialmente como gagueira, que só ocorre quando há uma rejeição da fala da criança pelo adulto, quando não há aceitação da disfluência normal. Nesse caso, algo sobre a fala é dito para a criança e isso causa grande inibição para dar prosseguimento ou iniciar um discurso. “A criança passa a querer controlar a fala, o que vai dizer e não consegue. Essa tentativa de controle traz muita preocupação, ansiedade e vergonha de falar. É um desejo de controlar o que é incontrolável, e é assim que se instala a gagueira”, observa Silvia. TRABALHO EM GRUPO E MÚSICA – A especialista coordena grupos de adultos, crianças e adolescentes que aprenderam a lidar muito bem com situações de estresse. “No CEFAC, trabalhamos individualmente e em grupo e com sensibilização para que as pessoas larguem mão desse controle e percebam os sons, as vozes, o próprio corpo. É possível imaginar que a palavra vai sair de forma natural, sem pensar. Ninguém pensa para falar, quando vai ver, já falou. É um ato autônomo, independente e isso precisa ficar claro para quem gagueja.” Silvia explica que trabalha bastante com música. É muito comum as pessoas dizerem que para cantar não gaguejam, pois estão falando sem pensar. Isso pode ser aproveitado e repassado para as situações normais de fala. As pessoas em geral precisam se dar conta dessa normalidade da disfluência e não chamar a atenção da criança para a demora na articulação e verbalização das palavras, muito menos completar as frases e palavras. Nesse aspecto, a família e a escola têm papeis fundamentais, pois são quem têm mais contato com a criança nessa fase. Se pessoas da família e professores disserem para a criança que ela não está falando direito ela se sentirá mal. “Não se deve chamar a atenção quando a criança disflui, deve-se aceitar o tempo interno dela para a elaboração dos pensamentos e da fala”, ensina a profissional. Não existem estudos definitivos que comprovem a causa da gagueira e, hoje, alguns deles apontam para fatores hereditários e congênitos. Só o fator genético não explica a gagueira; há um conjunto de fatores que pode provocá-la, como os aspectos motores da fala, emocionais, afetivos, cognitivos e lingüísticos, entre outros. O tratamento precoce é fundamental e deve ocorrer num período médio de seis meses a partir do surgimento dos primeiros sintomas. Os especialistas asseguram que submetidos a um tratamento fonoaudiológico adequado, há pacientes que se livram de todos os sintomas, independentemente da idade. Além da gagueira, também conhecida como gagueira do desenvolvimento, a fonoaudiologia reconhece outros quadros considerados como Distúrbios da Fluência: a taquilalia – fala rápida, mas desorganizada -, a taquifemia – quadro mais complexo de fala rápida e desorganizada, com a presença de uma inteligência muito viva; além da gagueira neurogênica, atribuída a fatores orgânicos de ordem neurológica e a gagueira psicogênica, atribuída a fatores psicológicos. Um fonoaudiólogo especializado no tema tem competência para avaliar, fazer o diagnóstico diferencial, traçar um planejamento adequado de tratamento.

Quer aprofundar o assunto?

Tel.: (11) 3664-8785 / 3667-7150
Rua Dr. Cândido Espinheira, 155 Perdizes – São Paulo SP

Fonte: Agência Estado Data: 23/01/2006

dez 18 2009

Críticas agravam disfluência

Se o seu filho hesita e “engasga” na hora de falar, é importante ficar atento, pois ele pode apresentar disfluência, mais conhecida como gagueira, uma desordem da fala que não faz parte do desenvolvimento normal da linguagem. Segundo a fonoaudióloga Tatiane dos Reis Moreira, é comum que durante os anos de aquisição e desenvolvimento da linguagem existam períodos variáveis no grau de fluência, de acordo com o amadurecimento neuromotor para os atos de fala. Gaguejar é um comportamento particular de falar, que o indivíduo desenvolve com uma grande variável de características, tensão muscular, tensão respiratória, repetição de fonemas, alongamento de fonemas, repetição de palavras, movimentos “auxiliares” de rosto, ou de braços ou qualquer parte do corpo. Com o avanço dos estudos genéticos, já se sabe que a gagueira decorre de uma predis-posição hereditária que, associada a fatores ambientais estressantes (lingüísticos e/ou psicológicos e/ou sociais), leva à manifestação dos sintomas. “Se a gagueira não estiver acompanhada de esforços para falar, se não houver movimentação associada facial (piscar de olhos, evitar o contato de olhos durante a conversa, pressão nos lábios e/ou bater mão, pé, mexer nos cabelos durante a fala), não existe razão para uma preocupação maior”, afirma a especialista. Por aparecer principalmente na infância, a disfluência costuma ser motivo de riso e gozação por parte dos colegas de escola e até por familiares. Nesses casos, a fonoaudióloga alerta que algumas falas agravam a gagueira, entre elas “relaxe”, “acalme-se para falar”, “pense antes de falar”, “respire” ou “fale de novo”. Ela afirma que chamar a criança de gaga, corrigi-la, criticá-la, completar a sua fala, apressá-la ou exigir demais dela também prejudicam a auto-estima e dificultam uma possível melhora. “Além disso, nunca se deve fingir que a gagueira não existe, ou seja, negá-la”, ressalta. Tatiane destaca que o professor é, definitivamente, uma pessoa-chave na detecção imediata e no sucesso do tratamento das desordens da fluência. Já os pais são as melhores e mais indicadas pessoas para ajudar os filhos a superar suas disfluências, quando bem orientados por um fonoaudiólogo. “Em grande parte dos casos, os problemas de fala costumam desaparecer num período de até seis meses, com melhora das habilidades lingüísticas e adaptação escolar”, pondera. Durante situações que geram ansiedade, a fala se torna mais difícil para todos, fluentes ou disfluentes. Caso a disfluência normal de fala tenha efetivamente se transformado em “gagueira”, a indicação será a terapia fonoaudiológica. “Os resultados da intervenção serão mais positivos quanto mais precoce procurar ajuda do especialista”, finaliza.

Quer aprofundar o assunto?

Tel.: (11) 3664-8785 / 3667-7150
Rua Dr. Cândido Espinheira, 155 Perdizes – São Paulo SP

Fonte: Jornal da Manhã Data: 11 de março de 2006

WordPress Themes