Category: Disfluência

dez 18 2009

Críticas agravam disfluência

Se o seu filho hesita e “engasga” na hora de falar, é importante ficar atento, pois ele pode apresentar disfluência, mais conhecida como gagueira, uma desordem da fala que não faz parte do desenvolvimento normal da linguagem. Segundo a fonoaudióloga Tatiane dos Reis Moreira, é comum que durante os anos de aquisição e desenvolvimento da linguagem existam períodos variáveis no grau de fluência, de acordo com o amadurecimento neuromotor para os atos de fala. Gaguejar é um comportamento particular de falar, que o indivíduo desenvolve com uma grande variável de características, tensão muscular, tensão respiratória, repetição de fonemas, alongamento de fonemas, repetição de palavras, movimentos “auxiliares” de rosto, ou de braços ou qualquer parte do corpo. Com o avanço dos estudos genéticos, já se sabe que a gagueira decorre de uma predis-posição hereditária que, associada a fatores ambientais estressantes (lingüísticos e/ou psicológicos e/ou sociais), leva à manifestação dos sintomas. “Se a gagueira não estiver acompanhada de esforços para falar, se não houver movimentação associada facial (piscar de olhos, evitar o contato de olhos durante a conversa, pressão nos lábios e/ou bater mão, pé, mexer nos cabelos durante a fala), não existe razão para uma preocupação maior”, afirma a especialista. Por aparecer principalmente na infância, a disfluência costuma ser motivo de riso e gozação por parte dos colegas de escola e até por familiares. Nesses casos, a fonoaudióloga alerta que algumas falas agravam a gagueira, entre elas “relaxe”, “acalme-se para falar”, “pense antes de falar”, “respire” ou “fale de novo”. Ela afirma que chamar a criança de gaga, corrigi-la, criticá-la, completar a sua fala, apressá-la ou exigir demais dela também prejudicam a auto-estima e dificultam uma possível melhora. “Além disso, nunca se deve fingir que a gagueira não existe, ou seja, negá-la”, ressalta. Tatiane destaca que o professor é, definitivamente, uma pessoa-chave na detecção imediata e no sucesso do tratamento das desordens da fluência. Já os pais são as melhores e mais indicadas pessoas para ajudar os filhos a superar suas disfluências, quando bem orientados por um fonoaudiólogo. “Em grande parte dos casos, os problemas de fala costumam desaparecer num período de até seis meses, com melhora das habilidades lingüísticas e adaptação escolar”, pondera. Durante situações que geram ansiedade, a fala se torna mais difícil para todos, fluentes ou disfluentes. Caso a disfluência normal de fala tenha efetivamente se transformado em “gagueira”, a indicação será a terapia fonoaudiológica. “Os resultados da intervenção serão mais positivos quanto mais precoce procurar ajuda do especialista”, finaliza.

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Fonte: Jornal da Manhã Data: 11 de março de 2006

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