Gagueira é mais comum em homens do que em mulheres
Conhecida desde a Antigüidade, durante os séculos 18 e 19, alguns cirurgiões acreditavam que a gagueira fosse o resultado de um defeito fÃsico dos órgãos da fala e, em decorrência disso, adotavam métodos cirúrgicos que mutilavam os pacientes. Entre os gagos famosos estão personalidades da história e da literatura, como Hipócrates, conhecido como o Pai da Medicina, o filósofo grego Aristóteles, seguidor de Platão, e o escritor Machado de Assis. Segundo a fonoaudióloga Erika Queiroga Werkhaizer Soares, mestre em lingüÃstica pela UFMG, a gagueira pode ser definida como um distúrbio da fluência da fala e, como tal, carrega um estigma muito negativo e é motivo de piada, especialmente entre crianças. “Todo falante dá umas quebras, que chamamos de disfluências, na fala. Mas o que difere o falante fluente de um gago é a freqüência maior que essas quebras ocorrem em quem gagueja.” Muitas vezes, a gagueira é acompanhada de outros sinais como tensão, piscar de olhos, mãos apertadas e suor frio. A fonoaudióloga explica que entre os tipos mais comuns estão: o bloqueio (quando o som de um fonema “agarra”), a repetição de um determinado som, seu prolongamento e ainda a repetição de sÃlabas. Não há uma causa cientÃfica comprovada para o problema, mas vários estudos mostram que a gagueira pode estar ligada ao cromossomo Y e, por isso, a incidência é de três homens para cada mulher que apresentam o sintoma. Outras teorias indicam que a gagueira ocorre numa relação de parentesco de segundo ou terceiro graus (tios ou avós). Além do fator genético, aspectos como traumas emocionais ou comprometimentos neurológicos podem desencadear o processo. Erika Soares chama a atenção dos pais para que observem a fala de seus filhos, especialmente entre 2 e 4 anos. “É normal que qualquer criança nessa faixa etária gagueje, porque ela está formando seu vocabulário ainda. Mas se a gagueira persistir por mais de seis meses, é preciso procurar a ajuda de um profissional”, comenta. Entre os erros mais cometidos pelos pais estão: completar a frase para a criança, mandar que ela respire calmamente ou demonstrar tensão. “Esses fatores contribuem para que a criança formule uma imagem de si própria de mau falante, o que diminui a auto-estima e gera frustração.” A sugestão da fonoaudióloga é para que os pais conversem mais com seus filhos, ouçam o que eles têm a dizer e, caso percebam sintomas de gagueira, contem histórias, falem mais pausadamente, usando frases mais simples e curtas. “O ambiente, além do componente genético, é fundamental para o desenvolvimento da criança.”
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Fonte: Saúde Plena Data: janeiro de 2006
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