dez 18 2009

Psicologia Infantil

Desde o início da aplicabilidade da psicanálise a crianças, e isto praticamente se deu com Melanie Klein, ficou evidente que uma estratégia “especial” se fazia necessária para que a barreira da linguagem fosse transposta. Percebeu-se que crianças expressam suas fantasias, seus desejos e experiências de um modo simbólico, mais por meio de brinquedos e jogos do que através das palavras.

Uma das primeiras conclusões que Melanie Klein teve foi a de que a brincadeira tem uma proximidade com o sonho, à medida que estes dois denunciam conteúdos inconscientes da criança, porém, estes só têm significado quando conhecemos a situação analítica global na qual se produziram, ou seja, a análise da brincadeira e do sonho da criança tem que ser feita considerando a realidade, os processos pelo qual a criança passou bem como as suas vivências atuais.

Como se dá o trabalho clínico com crianças

O trabalho clínico com crianças se dá através da interpretação da fala, do sonho, do desenho e do jogo (da brincadeira). O sonho, assim como o jogo, dispensa a palavra. Existem, entretanto, diferenças fundamentais. No sonho existem as imagens visuais e no jogo é a ação que se faz fundamental.

Sabemos que, na criança, o brincar é mais primitivo do que, respectivamente, o pensamento e a palavra, sendo o aspecto mais visível e aparente de sua conduta. A técnica lúdica é uma forma de ação representativa, pois como apontei acima, a criança representa através do ato e da brincadeira, aspectos inconscientes. Esta técnica é, portanto, fundamental para a análise de crianças, já que está impregnada de significados.

O brincar é para a criança a sua maneira de se comunicar com o mundo. Ela utiliza deste recurso para elaborar os seus sentimentos, como por exemplo, o medo de injeção ou a angústia causada pela ausência do pai que viaja e se ausenta por períodos prolongados. O brincar equivale à escolha das palavras e do tom de voz pelo adulto em seu discurso, e é através dele que a criança se constrói. O ambiente, neste momento, pode possibilitar, inibir ou acelerar a construção que a criança faz de si. Não podemos, entretanto, ver a criança como um ser passivo, que apenas absorve tudo do ambiente. Devemos considerar as especifidades de cada um, e é por isto que irmãos, provenientes da mesma família e muitas vezes, da mesma escola, apresentam diferenças entre si.

O trabalho clínico permite um clima favorável no qual criança e psicólogo estabelecem uma troca relacional, através da qual, a criança descobre e exprime suas dificuldades, é ouvida e observada em suas angústias. Estas dificuldades são expressas de forma espontânea através da fala, do jogo, ou do desenho.

Os pais da criança

Os pais, ao depositarem confiança no trabalho do psicólogo, ao acreditarem e se sentirem motivados com o tratamento, favorecem a comunicação entre terapeuta e criança. Os pais devem cumprir o seu papel favorecendo o desenvolvimento afetivo e cognitivo da criança oferecendo-lhe um ambiente sadio, onde a criança se sinta segura, respeitada e amada. Quando a criança está inserida em um grupo familiar que dificulta o seu desenvolvimento de forma saudável, faz-se necessária a inclusão da família no processo terapêutico.

Tel.: (11) 3664-8785 / 3667-7150
Rua Dr. Cândido Espinheira, 155 Perdizes – São Paulo SP

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